Canção em dois tempos

Por Newton VIEIRA

Neste 21 de março, Dia Mundial da Poesia, ofereço-lhes na versão francesa e, claro, no original em português, meu poema CANÇÃO EM DOIS TEMPOS (CHANSON EN DEUX TEMPS), um dos publicados na antologia “Écrivains Contemporains du Minas Gerais”, lançada no Salão do Livro de Paris em 2012 pela Yvelinedition. Tradução e adaptação de Marc Galan & Athanase Vantcheve de Thracy. Organização de Deia Donadon e coordenação editorial de Diva Pavesi, presidente da Divine Académie e curadora de exposições no Museu do Louvre. Foi uma homenagem da França ao nosso Estado. Estou nas páginas 163, 164, 165, 166 e 167.
No vídeo anexo, o poema é lido pela premiada trovadora Wanda de Paula Mourthé, professora na Université de la Sorbonne Nouvelle.

CHANSON EN DEUX TEMPS

Newton VIEIRA

Étouffe tes gémissements!
Refroidis ton élan!
Avant de sortir, arrange tes vêtements et tes cheveux!
Débarrasse-toi des fragments de moi!…
Cache ton délire au fond de l’aube!
Dehors, quand tu me verras, oublie que tu m’as vu.
Des messages? Seulement pour les filles…
Espiègles…
Des messages de tes yeux chargés de sel…


Ce masque-là?
Plus jamais!
À l’avenir,
J’en veux un autre:
Diaphane…
Que la foudre fendre le coeur
Des amers hypocrites,
Moi, je reste en arrêt, doigt pointé
À exécrer les sentiments.

CANÇÃO EM DOIS TEMPOS

Newton VIEIRA

Sufoca os gemidos.
Arrefece o ímpeto.
Antes de sair, ajeita a roupa e os cabelos.
Desvencilha-te dos resquícios de mim…
Esconde o delírio no fundo da madrugada.
Lá fora, quando me vires, nunca me viste.
Recados? Só pelas meninas…
travessas…
de teus olhos carregados de sal…


Aquela máscara?
Não mais!
Feito de devenir,
quero-me outro:
diáfano…
E raios partam o âmago
de hipócritas amargos,
dedo em riste,
a execrar sentimentos

Confira o poema em vídeo: https://www.facebook.com/100000359059378/videos/4064407413581187/