Mortes por Covid-19 sofrem queda pela 1ª vez em Minas Gerais

Desde o dia 30 de março deste ano, quando foi constatada a primeira morte em Minas Gerais em decorrência do novo coronavírus, a média móvel de novos óbitos só vinha aumentando ou, em algumas raras datas, se mantendo estável. No entanto, nesta segunda-feira (24), a história mudou: foi a primeira vez que esse indicador apresentou queda no Estado durante a pandemia.

Segundo o Termômetro da Covid, a frequência de novas mortes confirmadas caiu para 83,1 nos últimos sete dias. Há duas semanas, esse indicador era de 100,4 novos registros diários, ou seja, uma  média 17,2% maior do que a registrada hoje. De acordo com a metodologia adotada, a variação acima dos 15% no período indica desaceleração. Veja no gráfico:

A constatação reforça a projeção revelada pelo secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, de que Minas Gerais passa por um platô com tendência de redução nos registros.

“O percentual de resultados positivos para Covid-19 está com tendência à queda, o percentual de solicitação de internações na rede pública e a ocupação de leitos também. Com os óbitos, ainda temos um platô, iniciando uma tendência à queda”, disse, em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (24).

Vale ressaltar que, apesar da boa notícia, o patamar de confirmações diárias ainda é bastante alto em comparação aos períodos anteriores da pandemia. Basta observar que a média móvel de óbitos só atingiu a casa dos 80 registros diários no último dia 5 de agosto. 

Amaral justificou que o número de novas mortes demora mais a diminuir, uma vez que os pacientes convivem com a doença por algum tempo até que o caso eventualmente evolua para o óbito. 

Atualmente, o Estado acumula 195.920 casos de Covid-19, sendo 1.306 confirmados nas últimas 24 horas, além de 4.805 mortes causadas pela doença, 15 delas confirmadas no último boletim.

Entenda o gráfico

O “Termômetro da Covid” apresenta a evolução da média móvel de novos óbitos e casos confirmados nos últimos sete dias, e tem como parâmetro de comparação os mesmos dados registrados há duas semanas.

Se a média de hoje superar em mais de 15% o valor de duas semanas atrás, então a situação observada é de crescimento acelerado. No outro oposto, uma redução superior a 15% representa desaceleração. Se a variação for de até 15% para mais ou para menos, a média se encontra em um nível de estabilidade.

O uso da média móvel se justifica pela grande oscilação das notificações entre os diferentes dias da semana. Ela fica muito clara quando se observa a queda durante fins de semana e feriados, por exemplo. Desta forma, a média mostra tendências mais consistentes.

Já a janela de duas semanas para comparação se explica pelo tempo médio de ação do vírus e pela demora no processamento de exames e na divulgação dos resultados nos sistemas oficiais utilizados pela SES.

Esta é a mesma metodologia utilizada, por exemplo, pelo jornal The New York Times (https://www.nytimes.com/interactive/2020/us/coronavirus-us-cases.html)

Os dados são provenientes dos boletins epidemiológicos da secretaria e referem-se aos municípios de residência dos pacientes. Isso explica eventuais números negativos, uma vez que os casos podem ser revisados ou “transferidos” de cidade.

Fechar barra