Aonde vai o amor que nós perdemos

“Aonde vai o amor que nós perdemos?” Este é o verso que inicia o poema RELICÁRIO, no meu livro SONETOS DE BEM-DIZER / DE MALDIZER, que acaba de ser publicado, em primorosa edição da Aldrava Letras e Artes. Aqui vai o RELICÁRIO, como degustação do livro que pode ser adquirido através da Estante Virtual e da Amazon.

AONDE VAI O AMOR QUE NÓS PERDEMOS?

aonde vai o amor que nós perdemos?

não fecha a porta que abriu no peito,

deixa a janela d´alma entregue ao vento

e vai, no desconforme desse jeito:

e vai, no desconforme desse jeito:

desfeiteada fica aquela cama

onde o amor se fez e se desfez

sem um aviso; deixa acesa a chama

dos círios e do incenso; de uma vez,

não mais que de repente, ele parte

e parte o coração: é sua arte

sumir e aparecer como se nada

mais importasse que ganhar da vida,

vencer o tempo – e, nessa corrida,

quem perde ganha a rosa rastejada

Escolhi este poema como amostra do livro, porque nele a figura do Amor personifica a incessante busca da felicidade que “está sempre onde nós a pomos / e nunca a pomos onde nós estamos”, como está dito no clássico VELHO TEMA, de Vicente de Carvalho. Nas entrelinhas dos meus líricos poemas de bem-dizer e dos satíricos sonetos de maldizer há uma voz que sopra em nossos ouvidos o velho tema, que vem desde os trovadores medievais, passando pelas poéticas clássica e barroca: ter é perder.

SONETOS DE BEM-DIZER / DE MALDIZER é um livro de dupla face, que contempla tanto a meditação quanto o riso, que convida à reflexão introspectiva e à extrospecção catártica.

Continuando uma série de atividades de lançamento, meu livro estará sendo apresentado em Mariana-MG, no dia 21 de setembro, em solenidade da Academia de Letras, Artes e Ciência do Brasil.

Além da Estante Virtual e da Amazon, os curvelanos também podem adquirir o livro na Livraria Santo Antônio e os diamantinenses na Livraria Espaço B.

Afonso Guerra-Baião