Projeto Pensar Grande: Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Neste Dia Internacional da Mulher,através do projeto “ O Museu Vivo de História Local Chega até Você” homenageamos as mulheres curvelanas e, neste tempo de pandemia, em especial, as profissionais da saúde de nossa cidade. Em memória, reverenciamos também a curvelana Maria da Conceição Rolim Simões (Mariinha Rolim) que, em 2009, enriqueceu o acervo do “Museu Vivo de História Local” com vários objetos antigos, livro (Ephemerides Curvellanas) e textos do Monsenhor Rolim. Professora, escritora e conhecedora da história de Curvelo escreveu sobre as mulheres curvelanas das décadas de 20,30 e 40. Com este texto, o Museu Vivo de História Local da Facic, no Dia Internacional da Mulher, enaltece os valores da mulher curvelana, das profissionais da saúde de nossa cidade e os da própria Mariinha Rolim.

Geraldo Rodrigues Álvares (Coordenador do Museu Vivo de História Local da Facic)
Segue o texto Mulheres Curvelanas escrito por Maria da Conceição Rolim Simões.

MULHERES CURVELANAS


Maria da Conceição Rolim Simões

O curvelano que se ausenta por longo tempo, que percorre cidades diversas, jamais corta o cordão umbilical que o liga à sua cidade natal.


Analisando e comparando as mulheres de Curvelo com mulheres de outras terras cheguei à conclusão de que seria interessante uma pesquisa (proponho aos historiadores que o façam para verificar como a curvelana foi Mulher de Vanguarda Profissional. Nos anos 20, 30, 40 e, mesmo antes disto, ela já competia com os homens, profissionalmente. Sem descuidar de seus dons femininos: mãe, professora, pianista e outros, ela se destacou em planos diversos, extrapolando do lar para a sociedade, a política, o comércio, afazeres incomuns a uma sociedade tradicional. Citemos alguns exemplos:


Aviadora: A jovem Nívea Guerra, filha de Romeo Guerra, brevetada pelo Aéreo Clube de Curvelo, na década de 40, cortava os céus das Gerais com o seu teco-teco, levando doentes para os hospitais de BH ou comerciantes e empresários para negócios em outras cidades.


Ourives: Maria Prima Gonçalves: mulher simples e artista. Em sua rústica tenda à Rua Canabrava malhava na bigorna e fundia ouro e prata nos cadinhos em brasa, para transformá-los em joias preciosas!


Caldeireira: Regina Raquel: ainda mocinha, aprendeu a profissão com o pai Juca da Raquel. Com que esmero transformava folha de flandres, latão, níquel, em cafeteiras, lamparinas e outros utensílios domésticos!


Fazendeira: Mercedes de Paula Penna: viúva do Farmacêutico e Fazendeiro Cristiano Penna, assumiu a direção da Fazenda após a morte do marido, sendo respeitada como competente Fazendeira!


Comerciantes: Maria da Conceição Marques (Inhazinha): dirigia uma loja de fazendas na Avenida D. Pedro II. Cândida Barata (Catula): era proprietária de uma loja na Praça Tiradentes. Geralda Mourthé: proprietária da loja “Moda”, loja de presentes finos que ela dirigiu por 40 longos anos.


Judy Perácio: proprietária de uma sorveteria na Av. D. Pedro II.

Sapateira: Hermelinda T. Frediani (Inhá Sapateira): confeccionava maravilhas para os pés das cinderelas curvelanas nas décadas de 20 e 30.


Cantora Lírica: Rita Paixão: soprano de voz argêntea, enchia de melodias o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, tendo brilhado também na Europa.


Farmacêutica: Raimunda de Sousa Marques: esposa do médico Alú V. Marques, mantinha uma Farmácia na Praça Benedito Valadares, onde trabalhavam suas irmãs: Maria, Eulália, Marieta e Chiquinha.


Escritoras: Noêmia Salvo (Nina Salvi), com sua coleção de Literatura Infantil. Maria Helena Cardoso: além do livro de reminiscências: “Por Onde Andou Meu Coração”, escreveu “Vida, Vida”, uma biografia do irmão escritor Lúcio Cardoso e “Sonatas Perdidas” (Romance).


Obras Filantrópicas: Raimunda de Sousa Marques: fundou o Orfanato Santo Antônio, doando para isto uma chácara de sua propriedade. Na década de 20 ela já se preocupava com as meninas abandonadas.


D. Luísa Alves (Mãe Lu): fundou, com o auxílio do irmão Cônego José Alves, a “Associação das Servas dos Pobres”, para assistir, costurar e doar roupas à pobreza da cidade.


Jornalismo: Anita Penna, esposa do Farmacêutico Ricardo Penna, fundou um mini jornal: “A Borboleta”, nos anos 80.


Vendedora de Loteria: D. Maria Raquel, viúva do Sr. José da Raquel, já em idade avançada, na década de 40, percorria a cidade envolta em nuvens de poeira, vendendo bilhetes de loteria para aumentar a renda familiar.


Alta Costura: Zuzu Angel: atravessou o Atlântico e dominou a 5ª Avenida nos EEUU com suas confecções brasileiríssimas.


Sitiante: Rita de Tal: administrava o Sítio depois da morte do marido. Vinha à cidade a cavalo (de montaria) com seu filho José, vender os produtos de seu trabalho.


Bancária: Zaíra de Paula: cooperou com destaque na Fundação do Banco da Lavoura em BH e na instalação do mesmo banco no norte de Minas.


Motorista: Irmã Tereza de Paula: freira vicentina, dirigia em Diamantina um carro da comunidade, na década de 20.


Artistas Amadoras: Nos anos 20, Curvelo mantinha um teatro de amadoras instalado na praça, onde se exibiam: Mariquinhas Ribeiro e Mariquinhas Pururuca. Essa última foi levada ao Rio de Janeiro a se exibir para o Imperador D. Pedro II. Morreu na miséria no bairro Tibira.


Política: Alpha Vianna Marques foi militante Integralista de destaque nos anos 40. Hoje, essas e outras profissões são comuns a homens e mulheres; no passado, porém, era quase uma ousadia a escolha dessas profissões pelo sexo feminino. Em pesquisas bem planejadas muitas surpresas poderão aparecer em Curvelo.