Curvelo no cinema

Por NEWTON VIEIRA*

Terça-feira próxima, 9 de fevereiro, deveria ser data magna para a cultura curvelana. Nessa data, em 1910, menos de 15 anos depois da primeira sessão pública de Paris, ocorreu a estreia do Aquidaban, cinema instalado na cidade por iniciativa da empresa Matias Sena & Companhia. Outras casas de projeção surgiriam mais tarde, mormente com o advento dos filmes sonoros, até que o empresário Newton Corrêa da Silva, em 1963, inaugurou o imponente Cine-Teatro Virgínia na Praça Benedito Valadares.

A respeito desse pioneirismo de empreendedores sensíveis à arte e a outras manifestações do espírito vou discorrer em momento oportuno. Desta vez, meu objetivo é chamar a atenção para a presença marcante de Curvelo na indústria cinematográfica propriamente dita.

Entre 1939 e 1941, o artista curvelano Alceu Penna (1915-1980) viajou para os Estados Unidos, já famoso pela seção “Garotas” na revista “O Cruzeiro”, veículo em que o desenhista e ilustrador ditava a moda no Brasil. Coincidentemente, sua amiga Carmen Miranda (1909-1955) também se encontrava em solo norte-americano. A viagem da cantora luso-brasileira ligava-se à assim chamada Política da Boa Vizinhança (Good Neighbor Policy), projeto desenvolvido sob a presidência de  Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). Visava ao estreitamento das relações do governo estadunidense com os países da América Latina. Esse projeto contemplava vários campos, dentre os quais o da cultura, e foi executado de 1933, ano da VII Conferência Pan-Americana em Montevidéu, até o fim da Segunda Guerra Mundial. Experto (com x mesmo) na criação de cenários e figurinos, Alceu Penna não demorou, por intermédio de Carmen, a oferecer seu contributo ao cinema internacional. Foi ele quem criou, dentre outras, a indumentária usada pela cantora dos balangandãs no filme “Week-end in Havana” (Week-end grafado com hífen), de Walter Lang (1896-1972), terceiro da carreira dela em Hollywood. Sucesso em Los Angeles na semana do lançamento, esse filme desbancou “Cidadão Kane”, a obra-prima de Orson Welles (1915-1985). Nele Carmen aparece cantando “The Nango”, rumba de Harry Warren e Mack Gordon. Seu traje, criação de Alceu, compõe-se de saia dourada, decorada com antúrio, a planta cuja parte mais bonita e colorida não é flor, sendo a barra de tule nas cores verde, amarela e vermelha; e ainda: top auricolor com mangas volumosas e turbante com bolas vermelhas e douradas. Na película, não há crédito para o figurinista, como observam Maria Cláudia Bonadio e Maria Eduarda Araújo Guimarães em “Alceu Penna e a construção de um estilo brasileiro: modas e figurinos”. No entanto, o fato de que Alceu criara a vestimenta da Pequena Notável para “Week-end in Havana” salta aos olhos em reportagem de Accioly Neto publicada em “O Cruzeiro”, na edição de 28 de junho de 1941.

Sete anos mais tarde, em 1948, o gênio curvelano Lúcio Cardoso (1912-1968) estreou-se na sétima arte. Ele coproduziu e roteirizou “Almas adversas”, dirigido por Leo Marten. No elenco: Bibi Ferreira, Nelson Dantas, Graça Mello, Labanca, Ambrósio Fregolente, David Conde e Rosita Gay. Na sequência, de 1949 a 1961, Lúcio trabalhou nos longas-metragens “A mulher de longe” (história, roteiro, direção e coprodução), inacabado por falta de recurso financeiro; “Despertar de um horizonte” (texto) e “Porto das caixas” (argumento). A partir dos anos setentas, com sua obra monumental nas belas-letras, inspirou aos cineastas Paulo César Saraceni (1932-2012) e Luiz Carlos Lacerda, conhecido no meio artístico e entre os íntimos como Bigode, os filmes “A casa assassinada” (1971), Mãos vazias” (1971), “O viajante” (1999), “O que seria deste mundo sem paixão?” (2016), “Introdução à música do sangue” (2017), e por aí vai. Para Nelson Pereira dos Santos (“Rio, 40 graus”, “Vidas secas”), foi imprescindível a contribuição de Lúcio Cardoso ao Cinema Novo. Mestre Nelson me falou isso certa noite, no Rio, ocasião em me contou sobre a captação de “imagens lindas” (palavras dele) de Curvelo feita em 1961, quando pernoitou na cidade, a caminho de Três Marias, onde filmaria a usina Bernardo Mascarenhas, contratado pelo presidente Juscelino Kubitschek. “Vou descobrir onde essas imagens estão e entro em contato”, garantiu o imortal da Academia Brasileira de Letras. Maurílio Guimarães e Daltinho Canabrava estavam comigo e participaram da conversa. Ficamos eufóricos. Afinal, tratava-se de registro inédito e de valor inestimável, máxime pela notoriedade do profissional envolvido. Mas, infelizmente, Nelson Pereira dos Santos encantou-se em 2018 sem ter localizado o arquivo.

A presença de Curvelo no cinema crescerá sobremaneira nas décadas seguintes.

Lançado em 1964, “Viagem aos seios de Duília”, longa do cineasta argentino Carlos Hugo Christensen, baseou-se no conto homônimo de Aníbal Machado. Parte da trama se desenrola em Curvelo. No elenco, figuras do estofo de Rodolfo Mayer, Nathália Timberg e Oswaldo Louzada. Como roteirista, ninguém mais, ninguém menos que Orígenes Lessa (1903-1986), o romancista de “O feijão e o sonho”, futuro ocupante da cadeira 10 na Casa de Machado de Assis. O enredo: – Funcionário público, José Maria aposenta-se e recebe homenagens dos colegas da repartição. Solteiro e sozinho, revela-se insatisfeito com o presente, perde as expectativas e decide abandonar a Capital da República para buscar o passado em Pouso Triste, no interior de Minas. Seu maior desejo? Reencontrar Duília, a namorada da adolescência. Emociona-me a cena em que o ônibus com o protagonista passa em frente à Matriz de Santo Antônio e ao coreto inaugurado em 1927. Ah, no início, na ficha técnica, o filme traz agradecimento à família do major Clarindo Ribeiro da Glória (1881-1953), bisavô, pelo lado materno, do atual prefeito, Luiz Paulo Glória Guimarães. Corrija-se tão somente este pequeno equívoco da produção: classificou Senhora da Glória como cidade, mas o lugar, hoje distrito de Santo Hipólito, nunca foi elevado a tal categoria.

Em 1972, no Ciclo do Cangaço, surge o clássico “Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro”, sob a direção de William Cobbett. É a saga de Jesuíno Alves de Melo Calado (1844-1879), defensor dos ideais abolicionistas (alforriou o negro José) e republicanos, nascido na aristocracia rural e transformado em bandoleiro pela injustiça arraigada no sistema. Nesse longa, o primeiro realizado no Rio Grande do Norte, o artista curvelano Mário Paris interpreta Cobra Verde, o jagunço que, uma vez capturado, denuncia a localização de Jesuíno e de seus seguidores. De quebra, Mário Paris compõe a trilha sonora com Geraldo Vandré, como registra Marcelo Dídimo Souza Vieira em “O cangaço no cinema brasileiro”, tese de doutorado defendida na Unicamp em 2007. Belíssimas e em boa parte revolucionárias, as canções retumbam na alma. Minha predileção é por “O Sol já vai”, tema da personagem Maria de Goes, mas o aparato imagético e a dramaticidade melódica de “Calamidade” igualmente me fascinam. Perfeita a construção hiperbólica das alpercatas derretidas. Fortíssimo o emprego da palavra-título como anáfora antes das referências, em gradação ascendente, aos efeitos catastróficos da falta de chuva. A peça literomusical é uma fotografia do agreste maninho e evoca “A triste partida” de Patativa do Assaré (1909-2002) e Luiz Gonzaga (1912-1989), dois escafandristas do Brasil profundo. Os versos retratam o sofrimento do povo em contexto histórico-social semelhante ao de hoje, guardadas algumas peculiaridades. No período da atividade marginal de Jesuíno, as secas castigavam o Nordeste, enquanto, na Corte, o sábio monarca Dom Pedro II acalentava o sonho da transposição do São Francisco para fazer o sertão virar mar. Os alimentos (auxílio emergencial da época) enviados pelo Governo não chegavam ao destino; eram desviados pelos corruptos, situações em que o bando de cangaceiros passou a intervir, para a felicidade da população flagelada. Consoante Lúcia Maria de Souza Holanda, no estudo “Lugares de memória: Jesuíno Brilhante e os testemunhos do cangaço nos sertões do oeste potiguar e fronteira paraibana”, dissertação de mestrado apresentada à UFPB em 2010, a trilha de Mário e Vandré, a par das imagens, aproxima a proposta de William Cobbett do faroeste norte-americano. “Vale salientar aqui que essa aproximação com o cowboy hollywoodiano é apenas no campo estético, já que o fenômeno do cangaço difere do cowboy histórico, que marcou a expansão do continente norte-americano e a ocupação das terras indígenas por parte do colonizador inglês. O cangaço ocorreu em território já ocupado”, esclarece a estudiosa. Mário Paris voltaria ao cinema em 1974 para compor a trilha sonora de “O segredo da rosa”, de Vanja Orico (1931-2015), com Jacques Quester e os craques Almir (1950-2003) e Jesus Chediak (1941-2020). “Latiniana” é uma das canções inseridas na película e me despertou encanto desde que a ouvi pela primeira vez.

Lúcio Cardoso e a atriz Maria Fernanda durante as filmagens de “A mulher de longe” (1949). FOTO: Divulgação do Documentário sobre o Filme Inacabado

Fora da tela grande, o compositor e cantor curvelano, homem de hábitos simples, dono de voz poderosa e majestática nos registros graves, solidificou carreira na música erudita. Durante mais de 60 anos, Mário Paris cantou ópera no Theatro Municipal do Rio, em português, inglês, alemão, italiano, francês e latim. Atualmente aposentado, dedica-se à MPB e à montagem de peças teatrais infantis.

Em 2005, veio o campeão de bilheteria “2 Filhos de Francisco”, dirigido por Breno Silveira e baseado na trajetória da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano. O ator curvelano Ângelo Antônio foi uma das estrelas do drama. Viveu o pai dos cantores, seu Francisco Camargo, o lavrador de Pirenópolis, e arrancou aplausos da crítica especializada. Ângelo já havia atuado em “O tronco” (1999), de João Batista de Andrade, fundamentado na obra de mesmo nome de Bernardo Élis, e atuaria em “Batismo de sangue” (2007), de Helvécio Ratton, tendo como base livro de Frei Betto. A carreira do curvelano é das mais brilhantes e sólidas. Ele ainda encarnaria Chico Xavier, em 2010, sob a direção de Daniel Filho. A propósito de “Chico Xavier”, entrevistei Ângelo Antônio para o número 4 da revista Pequi Magazine. Perguntado se foi seu primeiro contato com o mundo esPÍrita ou espiRIta (existe a variante paroxítona), ele narrou esta breve história: “Quando menino {em Curvelo}, algumas vezes, fui levado por minha tia Maria Augusta Gomes Carneiro (Tita) à casa de uma senhora amiga dela, a Geralda Alves (Geralda Portuguesa), lá no bairro Maria Amália. Essa Geralda incorporava uma entidade, um erê que atendia pelo nome de Juvenalzinho. Em certas ocasiões, nós levávamos balas, doces e outras guloseimas que eram distribuídas entre as crianças”.  À rica filmografia de Ângelo Antônio vale acrescentar os longas-metragens “Bela Donna”, “Sonhos roubados”, “Não se pode viver sem amor”, “Amor?”, “Entre vales”, “Â beira do caminho”, “Deserto azul”, “Encantados”, “A floresta que se move” e  “O clube dos anjos”. Gostei muito da atuação dele como Fábio em “Sombras de julho”, de Marco Altberg, inspirado em ótima peça literária de Carlos Herculano Lopes e exibido em minissérie pela TV Cultura. 

Em 2006, saiu “Zuzu Angel”, com direção de Sérgio Rezende e estrelado por Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Camilo Bevilacqua, Luana Piovani e Leandra Leal. Esse drama biográfico, conjetura minha, deverá ser destaque novamente em 2021, ano em que o mundo da moda e da cultura comemora o centenário de Zuzu (1921-1976), a ilustre estilista e mulher de fibra curvelana, merecedora das mais expressivas homenagens.

Em 27 de abril de 2007, entrou em cartaz “Proibido proibir”, longa-metragem brasilo-chileno de Jorge Durán, ganhador de cobiçados prêmios dentro e fora do país. Em Biarritz, França, foi considerado o melhor do festival de 2006. No elenco, em papéis de destaque, Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues, Edyr Duqui e a atriz curvelana Raquel Pedras, integrante do grupo de teatro Armatrux e graduada em Artes Cênicas pela UFMG. No Armatrux, Raquel Pedras atuou em muitos espetáculos, como “Acorda, Aderbal” e “Esperando Godot”. No cinema, ela ainda fez “5 Frações de uma quase história”, segmento dirigido por Cris Azzi, e os curtas “A santa visitação”, de Elza Cataldo, “Ler pra crer”, “A máquina do tempo” e “Um por todos, todos por um”, de Anderson Guerra.

Curvelo aparece também, de relance, mas aparece, no documentário (2019) “Onde está você, João Gilberto?”, do diretor suíço Georges Gachot. Curiosidade: em 1969, João Gilberto, ao violão, acompanhou o cantor e compositor curvelano Luiz Cláudio na gravação, em 78 rpm, de “Este seu olhar”, música de Tom Jobim. O próprio Tom Jobim participou do registro como arranjador e pianista. Verdadeira pre-ci-o-si-da-de!

Ângela Diniz. FOTO: Antônio Guerreiro – Editora Abril.

Em maio de 2019, os diretores Christiane Torloni e Miguel  Przewodowski lançaram  o documentário “Amazônia, o despertar da florestania”. Entre os personagens, Fernando Henrique Cardoso, Milton Nascimento, Juca de Oliveira e o ambientalista, jornalista e escritor curvelano Sérgio Abranches, bisneto do médico José Lourenço Vianna Filho, o doutor Juca, descobridor da miopia no menino João Guimarães Rosa.

Não podem ser esquecidos curvelanos em importantes curtas-metragens. A jovem Brisa Marques, por exemplo, da safra de 1985, atriz, compositora, jornalista e poeta, primeira mulher diretora artística da Rádio Inconfidência, é coautora do roteiro e da trilha sonora de “Aluga-se” (2012), filme participante do 1º Festival Curta Brasília.

Igualmente inesquecíveis escritores que fizeram referências a Curvelo em suas obras e as tiveram adaptadas para o cinema, casos de Guimarães Rosa (“Grande Sertão”, de 1965, e “Sagarana, o Duelo”, de 1973), e de Fernando Sabino (“O Grande Mentecapto”), melhor filme no Festival de Gramado de 1989.

Por falar em escritores, vale mencionar o livro “Cinema”, do consagrado curvelano André Carvalho, ganhador do Prêmio Casa de las Américas morto em 2019, a quatro mãos com Sebastião Martins. A publicação, relançada em 1990 pela Editora Lê, trata da origem e desenvolvimento da indústria cinematográfica. Constitui o volume 17 da aplaudida coleção Pergunte ao José, voltada para o público infantojuvenil. Merece também menção especial o artigo “Central do Brasil: alegoria e realidade”, de Gérson Tenório dos Santos e Paulo César Carneiro Lopes, este doutor em Literatura Brasileira pela USP e irmão do citado ator e coprodutor Ângelo Antônio, portanto curvelano da gema. “Central do Brasil: alegoria e realidade” apresenta acurada análise do premiado filme dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Montenegro, com pré-estreia internacional na Suíça.

No momento em que formato este texto, George Moura – roteirista das séries “Amores roubados” (2014), “Onde nascem os fortes” (2018) e de filmes como “Redemoinho” (2016), “Getúlio” (2014) e “Linha de passe” (2008) – escreve, para o cinema, nova adaptação da “Crônica da casa assassinada”, romance introspectivo de Lúcio Cardoso, o curvelano magistral e multimídia de quem falei lá atrás. O longa terá direção de José Luiz Villamarim. Enquanto isso, a Rádio Novelo cede à Conspiração Filmes o direito de adaptar para a telona, com possível direção de Bruno Barreto, o bem-sucedido podcast “Praia dos Ossos”, oito episódios sobre a socialite curvelana e curvilínea Ângela Diniz, de beleza estonteante, assassinada pelo próprio companheiro, Doca Street, em Armação dos Búzios, então distrito de Cabo Frio, às vésperas do ano-novo 1976/1977. A morte trágica da Pantera de Minas se tornaria, como assinalou Branca Vianna, um divisor de águas na vida de inúmeras mulheres.

E uma última notícia: na manhã de ontem, sábado, 6 de fevereiro, recebi de Los Angeles, Califórnia, a informação de que vêm aí grandes novidades envolvendo Curvelo na sétima arte. Será que algum conterrâneo de Alceu Penna, passados mais de 14 lustros da façanha dele, conquistará espaço e estará em evidência nos estúdios hollywoodianos? Mistério… Voltarei ao assunto com detalhes tão logo seja autorizado a fazê-lo.

Alguém – se não me engano, Woody Allen – definiu como melhor filme aquele ao término do qual bate nos espectadores a sensação de terem estado no cinema apenas uns trinta minutos, quando se passaram, comprovadamente, duas ou mais horas de projeção. Fantástico esse conceito! Concordo em gênero, número e caso. Para mim, entretanto, a definição de melhor filme é outra: será sempre aquele que recebeu alguma contribuição da gente da minha terra. “Sacumequié”, né? Sou bairrista até a medula. Assumido mesmo. E verdade seja dita: a gente da minha terra é talentosa demais.

*O autor é ensaísta, jornalista e poeta. Pertence a várias instituições culturais, dentre elas a Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (AMULMIG) e a Academia Internacional de Letras, Artes e Ciências ALPAS 21. Durante 10 anos, manteve coluna jornalística com dicas de Português. Em 2018, na Feira do Livro de Porto Alegre, recebeu a “Comenda Personalidade Literária Internacional”. Detém prêmios conquistados no Brasil e no exterior, Além dos livros publicados individualmente, figura em dezenas de antologias, como a “Écrivains Contemporains du Minas Gerais”, lançada no Salão do Livro de Paris 2012.